Dermatite atópica: um ciclo vicioso

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Categorias: Dermocosmética

A dermatite atópica é uma infeção cutânea muito frequente e de condição crónica, contudo isso não significa que tenha de viver diariamente com as suas manifestações. Fique a saber o que é, como prevenir e tratar esta patologia.

O que é?
A dermatite atópica, também designada por eczema atópico, é uma doença inflamatória crónica da pele que pode ter como causas fatores ambientais ou genéticos.
A evolução clínica desta patologia cursa com períodos de remissão e exacerbação, sendo que nas últimas décadas em Portugal tem-se registado um aumento da incidência desta patologia provavelmente relacionada com o aumento da poluição e dos alergénios.
Esta condição clínica surge quando a barreira da pele não funciona de forma adequada verificando-se uma hiper-reatividade do sistema imunitário a agentes externos como o pólen, o pó doméstico, entre outros, que penetram na epiderme.

População mais afetada
A pele atópica afeta principalmente indivíduos com historial de doenças do foro alérgico, como asma e rinite, sendo mais comum nas crianças do que nos adultos. Assim, esta dermatite tem um início precoce, geralmente no primeiro ano de vida.
Na maioria dos casos o prognóstico é favorável sendo que aproximadamente 60% das crianças apresentam diminuição ou desaparecimento completo das lesões antes da puberdade.

Como se manifesta?
Pele seca, pequenas borbulhas tipo “pele de galinha”, comichão intensa, pele muito espessa e vermelhidão na zona da erupção. Estes são apenas alguns sinais característicos da dermatite atópica.
A distribuição das lesões varia consoante a idade do paciente sendo que, quando a criança é muito pequena, a inflamação aparece sobretudo nas faces, nas pregas e no tronco. Contudo, conforme se vai tornando mais autónoma, as lesões por fricção começam a surgir também nos joelhos e cotovelos. Outra localização frequente é a zona da fralda.

Fatores desencadeantes
Pelo facto da pele estar seca e irritada, temos comichão. Ao coçar, a função barreira da pele é perturbada, deixando as camadas mais profundas expostas e vulneráveis às infeções. As bactérias provocam irritação dando continuidade à comichão. Este processo é um ciclo vicioso que ocorre na dermatite atópica e que deve ser travado o mais precocemente possível.
Um dos fatores que leva a que esta patologia seja mais frequente nos mais novos, está relacionada com a tendência para a sua superproteção não os deixando, por exemplo, brincar em contextos que não sejam asséticos, diminuindo assim a capacidade de adaptação do organismo a tudo o que seja estranho.
A temperatura é um fator que condiciona vastamente a intensidade da dermatite atópica sendo que tanto climas muito frios e secos, como o calor com humidade podem agravar esta patologia. Além disso, o stress e a infeção por algumas bactérias e vírus podem desencadear o aparecimento desta dermatite.

Cuidar e prevenir sempre
Atualmente, ainda não existe cura conhecida para esta patologia, contudo é possível controlá-la eficazmente, prevenindo o aparecimento de surtos, através de pequenas dicas para o dia-a-dia ou recorrendo a uma terapêutica medicamentosa adequada.

Banho:
• Dar preferência ao duche ao invés do banho de imersão;
• Controlar a temperatura da água é essencial sendo que esta deve ser tépida (não deve exceder os 34 °C);
• Fazer banhos pouco demorados de modo a evitar o contacto prolongado da pele com a água da torneira que provoca secura;
• Utilizar um gel de limpeza suave, sem perfume, sem sabão e que faça pouca espuma para não retirar a pouca gordura que as peles com dermatite atópica apresentam;
• Evitar a utilização de esponjas ou escovas ásperas pois irá acentuar a irritação;
• Secar a pele com pequenos toques, sem esfregar, uma vez que o atrito reativa a comichão.

Hidratação:
• Hidratar com a pele ligeiramente húmida, após o banho, pois desta forma existe uma melhor penetração do produto na pele;
• Aplicar creme emoliente hipoalergénico em quantidade suficiente para cobrir toda a pele afetada;
• Massajar suavemente e sem esfregar;
• Reaplicar o creme ao longo do dia para que se crie uma película hidratante e protetora sobre a pele evitando desta forma, a perda excessiva de água através da mesma.

Outros cuidados:
• Manter a pele fresca e não a agasalhar em demasia;
• Preferir roupa de algodão e calçado de couro;
• Enxaguar bem as roupas de modo a remover os restos de detergentes que podem agravar a doença;
• Usar água termal para acalmar a comichão;
• As unhas devem estar sempre bem cortadas e limpas para evitar as infeções microbianas secundárias ao ato de coçar. Usar luvas de algodão à noite pode ser uma opção;
• Remover tapetes, alcatifas, cortinas, peluches e tudo aquilo que pode levar à retenção de ácaros nos quartos pois estes são fatores de agravamento da dermatite atópica;
• Manter a casa bem arejada durante todo o ano, livre de humidades e mofos;
• Praticar atividades de relaxamento, como yoga ou meditação, que ajudem a gerir o stress.

Por vezes, pode ser necessário recorrer terapêutica farmacológica, nomeadamente anti-histamínicos e, em situações mais graves, cremes anti-inflamatórios com ou sem corticoides. Quando nem estes últimos funcionam, poderá haver necessidade de tomar imunossupressores.

Deste modo, é essencial identificar e tratar precocemente a dermatite atópica de modo a reduzir as lesões e os sintomas, prevenir as recorrências e modificar o curso natural da doença. Os cuidados para o seu controle eficaz têm de ser contínuos. Aconselhe-se junto do seu médico ou farmacêutico.